sábado, 24 de outubro de 2015

Resenha #19 - Aventuras de uma Pseudovirgem

Olá, meu nome é Evelini, tenho 29 anos e muitos livros na bagagem.


Escolhi o "aventuras de uma pseudovirgem" para a resenha pois foi o mas divertido que li no último ano.
Espero que gostem.
Bjoks
Evelini Fonseca
 
Autora: Iris Bahr

Editora: Conrad (260 páginas)

     Você concorda que ser virgem ou não ainda é, muito menos que na época de nossas mães ou avós, um tabu? Uma questão que faz fervilhar os miolos de muitas jovens, principalmente se você já está na casa dos 20 anos?

     Eu acho que sim mas, honestamente, nunca pensei que isso seria um problema, uma questão em pauta para uma jovem judia que dividiu a vida entre Israel e os Estados Unidos e fez parte do altamente letal exército israelense (ou nem tanto assim!).

     Todas essas características estão condensadas em Iris Bahr, a autora do livro nasceu nos EUA e depois se mudou com a família para Israel ficando por lá até os 20 anos. Durante algum tempo foi um membro, pouco intimidador, do exército de Israel.

    Após encerrado o período de conscrita no exército, sem ter muita certeza se ainda era virgem ou não, devido há uma experiência nada convincente na base militar, tendo passado por muitos constrangimentos perante as colegas militares e com muitas minhocas na cabeça, Iris decide se aventurar pelo continente mais sexual que ela poderia imaginar, a Ásia.

     E assim, ela embarca rumo à Tailândia, passando ainda pelo Nepal, Vietnã e Índia, em uma época em que a tecnologia não era tão desenvolvida e ampla e saneamento básico era uma questão de luxo. Seu objetivo é única e exclusivamente encontrar um lindo espécime do gênero masculino que iria exterminar todas as ervas daninhas sexuais da mente dela. Ao longo do trajeto ela se coloca em situações hilárias e encontra pessoas tão ou mais perdidas do que ela, tem episódios divertidíssimos de problemas gástricos e até quase separa amigos de longa data ao se colocar entre os corações de dois jovens judeus.

    Confesso que no início torci para ela encontrar um mochileiro lindo e fosse uma típica história de "e viveram felizes para sempre", mas não poderia ser, afinal é uma história real e esse fim nem sempre acontece. Depois de alguns capítulos me peguei torcendo simplesmente por ela, uma pessoa como eu e você que tem dúvidas e está correndo atrás das respostas.

     O livro de Iris é absurdamente divertido, com diálogos internos e externos sagazes e rápidos, um relato honesto sobre sair pelo mundo achando que está na busca por algo que falta em sua vida, muito claro em sua mente, muito óbvio (bem se diga, muito sexo com estranhos para tirar o fantasma da pseudovirgindade após os 20 anos!), mas no fim descobrir que você não procurava nada daquilo de verdade. A história te leva a crescer e aprender, ver o mundo e mudar de opinião sobre os problemas da sua vida, reconsiderar sua relação consigo mesmo e com as pessoas a sua volta, junto com Iris.

    A autora traz o assunto sexo e as dúvidas que ele causa na cabeça de todos nós de um modo divertido, leve, caricato, porém acima de tudo real e honesto. A vida dela não é um mar de rosas, ela não é uma mocinha de romance, não é linda de morrer ou tem um corpo escultural, ela é uma pessoa normal, comum. Sua aventura passa longe da tranquilidade e luxo da viagem de auto conhecimento de Elizabeth Gilbert em Comer, rezar, amar.

     Nunca fui, e aliás não sou a fã mais feroz de livros auto-referênciais com lições de vida, gosto mesmo do bom e velho romance fantasioso em que tudo da certo no fim, no entanto tinha ganhado esse livro de uma pessoa que é minha amiga há pelo menos 15 anos e me conhece como ninguém. Então não tinha como não me aventurar na leitura e fui surpreendida de um modo arrebatador.

     Para muitas risadas (gargalhadas até!), uma noção da vida, sexo e viagens antes da internet ser um acessório indispensável e uma lição de vida nada clichê recomendo se perder pela Ásia com Iris Bahr.



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