quarta-feira, 6 de abril de 2016

Resenha #61 - Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

                    Livro - Os Homens que Não Amavam as Mulheres - Coleção Millennium
Título: Os homens que não amavam as mulheres (no original: Män Som Hatar Kvinnor)
Autor: Stieg Larsson
Páginas: 554
Gênero: Romance policial
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2010


Sinopse:

      Em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, fechara-se o acesso à ilha onde ela e diversos membros de sua extensa família se encontravam. Desde então, a cada ano, Henrik Vanger, o velho patriarca do clã, recebe uma flor emoldurada - o mesmo presente que Harriet lhe dava, até desaparecer. Henrik está convencido de que ela foi assassinada, e que um Vanger a matou. Quase quarenta anos depois, o industrial contrata o jornalista Mikael Blomkvist para conduzir uma investigação particular. Mikael, que acabara de ser condenado por difamação contra o financista Wennerström, preocupa-se com a crise de credibilidade que atinge sua revista, a Millennium. Henrik lhe oferece proteção se o jornalista consentir em investigar o assassinato de Harriet. Mikael descobre que suas inquirições não são bem-vindas pela família Vanger, e que muitos querem vê-lo pelas costas. Com o auxílio de Lisbeth Salander, que conta com uma mente infatigável para a busca de dados, ele percebe que a trilha de segredos e perversidades do clã industrial recua até muito antes do desaparecimento ou morte de Harriet.





      Quem nunca ouviu falar da primeira obra da trilogia Millenium "Os homens que não amavam as mulheres" que atire a primeira pedra. Esta história escrita pelo sueco Stieg Larsson em 2004 já tomou as prateleiras de várias livrarias pelo mundo e conquistou a admiração de diversos leitores.

      Os personagens principais da trama, um jornalista que está envolvido em um processo de difamação, Mikael Blomkvist e uma jovem hacker Lisbeth Salander formam uma dupla improvável com um mistério que perdura há mais de 40 anos e que precisa ser resolvido.

      Com 29 capítulos distribuídos por quatro partes (incitação, análise de consequências, fusões, takeover hostil), o autor nos apresenta de forma sutil o verdadeiro tema a ser discutido e exposto durante a trama: o abuso sofrido por mulheres. Cada abertura destes blocos acompanha uma frase de impacto a respeito do assunto e as datas nas quais os eventos de cada parte acontecem:

Parte 1

Incitação

20 de dezembro a 03 de janeiro

"Na Suécia, 18% das mulheres foram ameaçadas por um homem pelo menos uma vez na vida."

Parte 2

Análise das consequências

03 de janeiro a 17 de março

"Na Suécia, 46% das mulheres sofreram violência de um homem."

 

Parte 3

Fusões

16 de maio a 11 de julho

"Na Suécia, 13% das mulheres foram vítimas de violências sexuais cometidas fora de uma relação sexual."

Parte 4

Takeover hostil

11 de julho a 27 de dezembro

"Na Suécia, 92% das mulheres que sofreram violências sexuais após uma agressão não apresentaram queixa à polícia."

     Dentro desta estrutura, o leitor é levado pelo cativante enredo criado por Larsson. A ponto de perder sua credibilidade e também sua revista Millenium, Blomkvist aceita a oferta de Henrik Vanger de finalmente desvendar o mistério por trás do sumiço de sua neta, Harriet Vanger. Por meio de uma agência de segurança, o jornalista chega até a enigmática Lisbeth Salander, que interessada na estranha história contada por Blomkvist, passa a o ajudar em sua busca.

      Determinado a descobrir a verdade, o jornalista deixa sua cidade natal Estolcomo e muda-se para o pacato vilarejo Hedeby. Lá é acolhido pelo patriarca industrial Vanger, porém não é o que se pode dizer quanto ao restante da família. Salander o acompanha e sua relação se estreia conforme pistas aparecem e verdades são descobertas.




     Neste meio tempo, Erika Berger, sócia de Blomkvist na revista Millenium, tenta desesperadamente salvar a publicação da falência. Por conta da complicada situação que estão passando ela não consegue entender o motivo da obsessão de seu colega pela história de Harriet Vanger.

     Ao meu ver, o autor teve muito sucesso em conseguir prender a atenção do leitor. Os principais motivos para este sucesso são o suspense que envolve a trama e a misteriosa e estranha personagem de Lisbeth Salander.

"Lisbeth Salander tinha treze anos quando o tribunal de primeira instância, cumprindo a lei de proteção a menores, decidiu que ela deveria ser internada na clínica de psiquiatria infantil Sankt Stefan, em Uppsala. A decisão se baseava principalmente num parecer segundo o qual ela apresentava distúrbios psiquiátricos e era considerada potencialmente perigosa para seus colegas de classe e eventualmente para si mesma." Capítulo 9 – pág. 126


Salander é antissocial? Sim. Salander é totalmente bizarra? Sim. Salander é perigosa? Sim. Mas Salander é sensacional. Isso sim! Não há o que possa me fazer mudar de ideia quanto ao fato de que, mesmo com sua aparência frágil e postura amedrontada, Lisbeth Salander é uma das personagens femininas mais fortes da literatura contemporânea, fazendo com que a narrativa fluída e cativante de Larsson seja uma das mais revigorantes da nova literatura.

Também não é possível deixar de pensar que o autor, jornalista e sócio de sua própria revista Expo, tenha deixado alguns traços autobiográficos no personagem de Mikael Blomkvist.

"Ela fechou o livro e observou a fotografia do autor na quarta capa. Mikael Blomkvist aparecia numa foto pequena. Uma mecha castanho-clara pendia displicentemente sobre a testa, como se uma rajada de vento tivesse passado bem na hora em que o fotógrafo acionou o botão da máquina, ou como se (o que era mais provável) o ilustrador Christer Malm tivesse feito algum retoque. Ele olhava para a objetiva com um sorriso irônico e um olhar que certamente pretendia ser charmoso e travesso." Capítulo 5 – pág. 85

 

 

Se você é um fã de mistérios, personagens complexos e reviravoltas, esta é uma obra que recomendo com muito prazer. A leitura é rápida e dinâmica por conta da estrutura já descrita acima e pela linguagem simples e direta, sem rodeios.

Stephanie M. Viehmann
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