sábado, 9 de abril de 2016

Resenha #65 - Garota Exemplar


garota exemplar

Autora: Gillian Flynn
Páginas: 448
Gênero: Thriller(Suspense)
Editora: Intrínseca
Ano: 2012


Sinopse:
     Uma das mais aclamadas escritoras de suspense da atualidade, Gillian Flynn apresenta um relato perturbador sobre um casamento em crise. Com 4 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo – o maior sucesso editorial do ano, atrás apenas da Trilogia Cinquenta tons de cinza –, "Garota Exemplar" alia humor perspicaz a uma narrativa eletrizante. O resultado é uma atmosfera de dúvidas que faz o leitor mudar de opinião a cada capítulo. Na manhã de seu quinto aniversário de casamento, Amy, a linda e inteligente esposa de Nick Dunne, desaparece de sua casa às margens do Rio Mississippi. Aparentemente trata-se de um crime violento, e passagens do diário de Amy revelam uma garota perfeccionista que seria capaz de levar qualquer um ao limite. Pressionado pela polícia e pela opinião pública – e também pelos ferozmente amorosos pais de Amy –, Nick desfia uma série interminável de mentiras, meias verdades e comportamentos inapropriados. Sim, ele parece estranhamente evasivo, e sem dúvida amargo, mas seria um assassino? Com sua irmã gêmea Margo a seu lado, Nick afirma inocência. O problema é: se não foi Nick, onde está Amy? E por que todas as pistas apontam para ele?

     "Garota Exemplar" é um daqueles deliciosos livros que temos o prazer de encontrar e nos deixar atordoados com cada página. Ele é narrado em primeira pessoa, porém com duas vertentes, sendo uma delas por Nick Dunne, o marido acusado de assassinar sua esposa, e Amy Dunne, a cônjuge desaparecida.

     Um dos fatores mais interessantes desse livro é justamente essa narrativa dividida, dando ao leitor uma análise completa da situação, revelando os comportamentos agressivos de Nick e as loucuras de Amy. Podemos até compará-lo ao incrível "Dom Casmurro", contado sob a ótica de Bentinho, personagem que pouco ao pouco nos convence sobre a suposta traição de Capitu.

     A narrativa, como a própria Gillian sugere, é um cabo de guerra, deixando aqueles que têm o prazer de lê-la perturbados por se identificarem cada vez mais com as duas partes do casal, não sabendo decidir quem está com a razão diante dos acontecimentos.

"Eu vivo em constante monólogo, mas as palavras raramente alcançam meus lábios."

     Outro ponto que ajuda para esse livro ser uma obra-prima contemporânea é o aprofundamento que Flynn promove com o decorrer das páginas, fazendo os leitores imergirem no mundo obscuro e cheio de psicose em que Nick e Amy se encontram. Suas características físicas e — principalmente — psicológicas são reforçadas durante o romance, fazendo nós, meros espectadores desse jogo de aparências, ficarmos perplexos com as informações acumuladas sobre as personagens.

Ben Affleck e Rosamund Pike em 'Garota exemplar' (Foto: Divulgação)


O começo da insanidade

     Além disso, "Garota Exemplar" surpreende por nos mostrar a decadência de um longo relacionamento, situação não muito presente na literatura atual, e comportamentos inerentes ao casal, fazendo o leitor mais uma vez se ver no romance (tirando o fato da história se basear em investigações sobre assassinar cônjuges).

     Não esquecendo de deixar mais críticas à sociedade contemporânea, Gillian Flynn satiriza a mídia através das entrevistas que Nick dá, mostrando uma visão dos meios de comunicação atuais tendenciosa.

gone girl 2

Amy Exemplar




     Apesar de eu ter cogitado a hipótese do que poderia vir a acontecer no romance, a história surpreende com sua complexidade, deixando os leitores perplexos com a trama bem amarrada que a autora criou.
     Mesmo que o final pareça comum, ele é, acima de tudo, a reflexão sobre a insanidade do ser humano, fugindo — portanto — de qualquer clichê e nos fazendo pensar sobre a que ponto Nick e Amy, nada mais que nós mesmos, podemos chegar. Realidade nua e crua vista com a magnitude da escrita de Gillian Flynn nesse maravilhoso thriller indicado para todos os que procuram ver os deslizes da sociedade e que de exemplar, a Amy não tem nada.


"É um tanto perturbador recordar uma lembrança calorosa e sentir-se profundamente frio."

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